Hoje não me apetecem grandes divagações ou profundas reflexões. Apetece-me só ponderar numa coisa que hoje me fez pensar.
As pessoas não são aquilo que parecem.
Sim, é verdade. Já toda a gente sabe. Mas a questão hoje centra-se no facto de eu não dizer isto no sentido negativo, tão comunmente utilizado, mas no sentido positivo.
Por vezes, cruzamo-nos com uma determinada pessoa todos os 365 dias por ano, três vezes ao dia. Ela baixa a cabeça, faz cara de desinteresse.
Não nos interessa, na verdade, mas fazemos sempre juízos de valor. Acreditamos que, ainda sem a conhecer, é uma pessoa distante e mal-educada, porque em tantas manhãs que se cruzou connosco, nunca sequer acenou.
Por vezes um amigo de um amigo afasta-se sempre que nos apartamos ou vira a cara fingindo não dar por nós.
Julgamos que é só anti-social ou provavelmente, julga-se superior em alguma questão.
Um dia percebemos, ao partilharmos um banco de autocarro, que a pessoa era apenas tímida e mostrava-se desinteressada para não ser obrigada a dizer-lhe olá. Na verdade, a sua opinião era de que eu olhava para si com uma cara crítica e desconfiada. Deixava-a transtornada, perdida nas minhas observações e julgamentos involuntários.
Um dia percebemos, ao chocar com o tal amigo do amigo, soltou-se um sorriso tímido de bochechas vermelhas. Um pouquinho de conversa repuxada fez descobrir que ele julgava apenas sentir-se a mais quando nós, dois amigos de longa data, nos encontrávamos. E por isso, afastava-se. Virava a cara para que não pensasse que escutava a conversa, ou para não nos sentirmos obrigados a chamá-lo. Depois, observava de longe, ponderando aproximar-se ou, que sabe, aproximar-se da próxima vez. Mas, julgando-o anti-social e decidida a não dar atenção, não olhei mais. Não dei hipótese.
Com a Joana foi quase assim, com a Júlia também. E agora, uma é minha irmã e a outra, uma amiga muito querida.
Não as trocava por nada e aprendi muito com elas.
Obrigado.

É preciso saber valorizar cada olhar, que como dizem, vale mais que mil palavras.